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Amamentando uma alemoa prolongadamente

Antes de falar do desmame da alemoa, que as leitoras tem pedido muito lá na página, vou contar como foi o processo de amamentação da Jujuba.

Na gestação dela, ao invés de imaginar o parto, eu imaginava ela mamando, eu SONHAVA com ela mamando, já que tive uma experiência frustrada com o alemão. Assim, eu comecei a ler ferozmente os arquivos do Grupo Virtual de Amamentação, os livros da Laura Gutman (em especial o Maternidade e o Encontro com a própria sombra), procurei e salvei o telefone de uma consultora de amamentação.

(primeira mamada da alemoa)

Decidi que eu amamentaria sim ou sim, imaginava os problemas que poderia enfrentar e, graças à situação financeira da época, pude abandonar algumas disciplinas na faculdade onde leciono e ficar apenas com uma, concentrada, que começaria quando ela tivesse 7 meses, porque minha licença era de apenas 4. Ok, tudo esquematizado na gravidez, e a coisa mais lindinha do mundo nasceu de parto natural hospitalar as 3:38h de uma manhã de sexta-feira, após 40 semanas e dois dias na barriga. Veio imediatamente pro colo, mas não quis mamar em sua golden hour e por conta de uns percalços na assistência pediátrica, ficou em torno de 40 minutos afastada. Assim, a primeira mamada da Júlia foi quase 2h após seu nascimento.

Fomos para casa e ela ficou levemente amarelada. Apesar de eu saber a pega correta, sentia um pouco de dor e ficou levemente machucado. Passava leite materno e deixava secar naturalmente e usei sim pomada de lanolina, bem pouco, cuidando para não abafar com protetor de seio nem conchas, pelo risco de candidíase. Fomos ao pediatra com 7 dias e ainda estava perdendo peso, mas tudo bem, dentro do esperado (perdeu uns 12%). Na consulta com a GO, ela tinha uns 21 dias, e a médica achou ela muito magra. Gelei, fiquei mal, comecei a ficar nervosa, sendo que nem a pesamos, foi no olhômetro mesmo. Como eu havia dito ao pai dela que se surtasse queria ir numa consultora, ele ligou e no dia seguinte, fomos na Rosane Baldissera. A Júlia já havia passado o peso do nascimento em 80 gramas, ou seja, ela perdeu quase 400g em uma semana e nas duas semanas seguintes ganhou 580g (os 400 perdidos mais os 180g ganhos) e o desconforto que eu sentia era devido ao posicionamento dela. Como algo tão simples faz diferença? Eu só parei de sentir sensibilidade nos mamilos quando ela tinha 40 dias: acordei e não senti nada, nem dor, nem prazer. Só fui sentir prazer quando o peito enchia muito e ela esvaziava, no mais, amamentar pra mim era, hummm... ok.

Nos primeiros dias minha ex-sogra ficou conosco, cuidando da casa para que eu cuidasse da pequena e foi muito, mas muito melhor do que do Henrique, que fiquei sozinha e mal informada. Apesar de ser uma pessoa incrível, as vezes ela me olhava por cima do ombro e comentava que os dela tinham mamado apenas 20 dias e isso me incomodava um pouco, a gente fica muito sensível, porém, eu sou eternamente grata por todo cuidado e carinho. Nessa época, o pai da Júlia era meu suporte, mas o dia que a Júlia estava mamando, com quase 2 anos, e a sogra pediu pra tirar uma foto, muito orgulhosa de nós, eu morri de amor. Obrigada vovó Dorli, JP, Júlia, Maria Flor e Rafaela agradecem.

Chegou a engordar mais de um kg por mês e por volta dos 4 meses, foi estabilizando o ganho de peso entre 400-500g. Quando ela tinha menos de 5 meses, eu e o pai nos separamos e eu fiquei muito, mas muito mal. Foi um fim muito ruim, e eu passava o dia apenas bebendo água pra não baixar a produção, e comia, as vezes, uma banana. Emagreci 5kg em uma semana, fiquei muito sozinha, com duas crianças e brigas horrendas. Obviamente o hormônio cortisol tava lá em cima e o reflexo de ejeção do leite caiu. Eu SABIA QUE ERA PASSAGEIRO, e amamentava em LD sem complementar, mesmo assim, ela teve uma queda na curva de ganho de peso. Me ofertaram equilid (nem pensar!) ou iniciar a IA antes (oi, desde quando maça tem mais caloria que leite?), mas me apeguei ao mamá e foi minha meta pra ficar de pé: amamentar minha cria. Agora posso dizer: foi muito foda.

(a magreza da pessoa amamentando num estacionamento de shopping)

Beleza, chegamos ao aleitamento exclusivo com 6 meses! Viva nóoooos... Começa a IA, oferece melão e pá, uma mega reação alérgica. Volta mais uma semana pro aleitamento exclusivo e com 6 meses e 8 dias, começamos a IA de verdade, através do BLW. Comia bem e mamava em LD, mesmo após comer, porque LM não causa anemia como o LA.

Precisava ordenhar para mandar leite para quando ela passasse umas horas com o pai, ela não aceitava direito o leite em nada, ficava sem comer ate me ver. Uma merda e um absurdo (mas eu gostava dele, não queria brigar ainda mais, queria agradar para voltarmos, tinha medo e aceitava.. ainda bem que passou!). Com essas ordenhas, acabava superestimulando a mama e desenvolvendo mastites, que eu mesma contornava com antiinflamatório (prescrito por médico, tá gents) e compressas frias logo que percebia a vermelhidão e a febre chegando.

Até os 9 meses eu ordenhei e foram 5 mastites em 6 meses. Decidi ali que chegava, ela comia bem e se fosse ficar 6 - 8h longe de mim, que fosse comendo. Eu amava amamentar, mas tava odiando a função da ORDENHA . Passamos pelo aniver de um ano mamando, amamentava em qualquer lugar. Com 15 meses fomos à Gramado e me senti, pela primeira vez, constrangida de amamentar num restaurante. Me escondi numa salinha e fiquei muito magoada do pai dela, que estava conosco, não ter me apoiado pra eu dar mamá no salão, mas quando comentei, ele me disse que achou que eu que quis me afastar, que por ele não tinha porque ter saído. A gente sente os olhares, né? Mas depois disso, amamentei em tudo que foi canto, inclusive numa sessão plenária da Assembleia Legislativa do RS, como aqui embaixo ó:

(Júlia com 18 meses mamando em "público")

Quando ela tinha 1 ano e 5 meses eu fiquei exausta de acordar a cada 2h pra dar mamá. Eu e o pai dela nos afastamos por completo ali e o sono dela, que era relativamente bom (ele a fazia nanar sem sugar, então ela emendava umas 6h) piorou muito. Decidi desassociar o sugar do dormir e com 18 meses completei o desmame noturno. Nessa época os palpites começaram: cada vez que eu reclamava de cansaço alguém dizia: porque não desmama, tá sacrificante pra ti.. poxa, lavar louça ou levar Henrique ao cinema ninguém quis né? Ou o pai começou a achar que eu devia desmamar a noite porque aos 2 anos ela dormiria fora. Sabem, os pitacos mais duros vem de quem amamos, e como eu sofria. Por sorte sempre ganhei parabéns com estrelinhas da pediatra e das amigas que fiz no caminho, e que amamentaram prolongadamente, ou minhas amigas EO, que sempre elogiavam a saúde da alemoa. Obrigada mestras, obrigada Partería...

Com 22 meses, comecei a sentir uma perturbação incrível na amamentação. Ela vinha mamar e eu queria, literalmente, levantar e fugir, que nem as cadelas fazem com os cachorrinhos, sabem? Com isso, limitei a livre demanda (assunto para outro post). Nessa época, parei de amamentar em público. Aos 24 meses, mais um baque: o pai achando que eu deveria desmamar porque o estava prejudicando. Oi? Ela ia passar a dormir lá um findi sim e um não e ele estava preocupado que ela não quisesse ficar por conta do mamá. Magoou muito, mas quantas vezes eu e ele nos magoamos? Quero crer que não foi por mal, mas por nosso atrapalho em conversar. Por sorte, eu engoli a mágoa e segui amamentando, porque era só o que nos faltava né? E ela lindamente entendeu que quando estava na casa do papai não tinha mamá. Chegava desesperada para mamar e era bem gostoso. Como não amamentava em público, acho que nem a família, com exceção da minha mãe e meu paidrasto sabiam que eu amamentava, porque tive que ouvir gente falando que "fulaninho tá enorme e fica na teta e a fulana não tem noção", falando de outra mãe que amamentou prolongadamente. Raiva viu?

Aos 26 meses, mamava ao acordar, ao voltar da creche e antes de dormir. Minha meta era desmamar aos 27, mas ela não estava pronta. Nessa época, eu não gostava mais. Doía, queria meus peitos só pra mim, hehehe. Como a irmãzinha dela deve nascer a qualquer momento entre agora e novembro, eu queria desmamar antes da mana nascer, porque achava que seria muita coisa pra cabecinha dela estar sendo desmamada enquanto a mana está sendo amamentada.

Assim, aos 28 meses, passou a mamar ao acordar e antes de dormir. Aos 29 meses, só ao acordar. Essa foto aqui embaixo é uma das últimas da alemoa mamando, aos 30 meses. Eu sabia que ia acabar, e pedi pro Henrique fotografar.

O que eu aprendi, nesse processo? Que as palavras de quem amamos doem mais que qualquer fissura. Que os grupos virtuais são fundamentais para o apoio. Que banco de leite e consultora em amamentação são vida! Que poucos pediatras manjam de aleitamento e que, acima de tudo, amamentar prolongadamente não é amor líquido, mas resistência: resistir aos pitacos, a indústria que mina tua confiança, ao preconceito, ao machismo. Eu resisti. Ela resistiu, e sou muito, mas muito orgulhosa de nossa história.

Foram 2 anos, 6 meses e 9 dias de amamentação.

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(quer saber mais como conduzir um desmame gentil? entra em contato pelo inbox do face e marcamos uma consultoria para desmame, o processo pode ser até virtual).

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