O desmame da alemoa

Júlia nasceu pesando 3.555g, as 40 semanas e 2 dias de gestação. Veio direto pro colo e não mamou porque não quis. Ela mamou em torno de 1h e 40 após nascer, mamou sabendo, pega ótima, sucção perfeita. Eu estudei muito para amamentá-la, afinal com o alemão eu acabei tendo um desmame precoce (você pode ler aqui).

(coisa mais gostosa essa alemoa de vermelho)

Com uma semana, Júlia pesou 3.280g, com 26 dias estava com 3,7 kg (ou seja, ganhou peso bem lentamente nesse início, e tudo bem) e a partir daí,a amamentação fluiu. Ela nunca foi acima de linha verde, mas sempre teve curva boa, hidratada, atingindo os marcos de desenvolvimento. Como optamos por não dar chupeta, e ela tinha alta necessidade de sucção, só posso dizer que foi foda. Some-se a isso ao fato de eu ter me separado do pai dela quando ela não tinha nem 5 meses. Enfim, entre trancos e barrancos, chegamos aos 6 meses de amamentação exclusiva, ela comeu melão, teve reação alérgica e ficou mais uma semana em aleitamento exclusivo.

(alemoa com 7 meses)

Confesso que só relaxei na amamentação quando ela tinha 9 meses e após a 5a. mastite, por hiperestimular com bomba pra mandar LM pra ela quando passava o dia com o pai, eu cansei. Avisei que não mandaria mais leite, que ela comeria quando estivesse com ele, me livrei das ordenhas e aí fui feliz. Ela nunca tomou LA.

Chegamos aos 12 meses de amamentação, que alegriaaaa.

(mamando na festa de 1 aninho)

Quando ela tinha 17 meses eu comecei a desassociar o sugar do dormir. Até essa época o pai dela vinha todo dia aqui, dava banho, jantávamos juntos e eu amamentava na sala e ele a colocava pra dormir, e ela emendava umas 6h de sono, mas quando nos afastamos de vez, e eu passei a fazer dormir mamando, ela passou a acordar de 40 em 40 minutos até a hora de eu deitar e quando eu deitava, ela acordava a cada 2h. Pi-rei. Então, por 2 semanas eu amamentava até quase dormir, retirava seio da boca e embalava ou coçava as costas até ela adormecer. Na primeira semana fiz isso muitas e muitas vezes das 21h as 7h. Na segunda semana, ela já estava dormindo umas 6h direto de novo. Quando isso consolidou, passei pro desmame noturno.

Como já havíamos desassociado o sugar do dormir, eu estipulei 8h sem amamentar, ou seja, até as 5h ela não mamaria. Quando ela acordava, oferecia uma banana. Uma ou duas x ela aceitou (era fome mesmo), mas nas outras não. Teve choro? Claro, era uma mudança de comportamento né? Mas nunca choro abandonado, mas com a mãe, no colo, sendo embalada ou cantando. Se ela chorasse muuuito, eu amamentava até entrar em sucção não-nutritiva e pedia pra soltar, daí embalava até dormir. Umas 3 noites foram de certo choro, umas 3 noites ela não dormiu até as 5h, mas não chorou e pela 7a. noite, dormiu direto até as 5h. Nessa hora eu amamentava até entrar em sucção não-nutritiva e pedia que soltasse, aí ela dormia até umas 7h. Foram 30 dias no processo de desmame noturno. E, após esse período, eu menstruei. Ah, e que fique claro, ela não mamar não significava não acordar, ela acordava, eu fazia shhh e ela seguia dormindo.

Quando ela tinha 22 meses, passei por uma terrível perturbação na amamentação. Não queria sentar pra ela não vir mamar. Entendi o recado que meu corpo dava e limitei a livre demanda. Confesso que fiquei muito confusa e fui pedir acolhimento em grupos virtuais e levei pedrada: como assim desmamar aos 18 meses a noite, que maldade era aquela? como assim reduzir livre demanda aos 22 meses, se "TEM QUE SER ATÉ 24 MESES" ou mais? Bom, fiquei pu-ta. Ninguém me escutava e chegaram a dizer que, por eu não trabalhar fora o dia todo, deveria "aguentar" as mamadas noturnas. Que abuso, cara.

Achei minha rede de apoio em consultoras "nutella": elas me ouviram e me permitiram ter voz. entendi que a amamentação é uma comunicação entre mãe e bebê e que nem tudo precisa (e deve) ser resolvido com o peito. Era isso! minha filha falava tudo, comia super bem e eu não queria mais amamentar em livre demanda, mas queria seguir amamentando, minha meta, sei lá por quê, eram os 27 meses. Assim, fui fazendo substituições das mamadas por brincadeiras especiais ou passeios, substituía por lanches e sucos especiais, passei e evitar o sofá onde ela sempre mamava e a usar roupas que dificultassem o acesso ao peito. E, 10 dias, Júlia estava mamando 3 x ao dia e eu reencontrei a alegria de amamentar novamente.

Chegando nos 27 meses, na tal meta, mandei mensagem chorando que "precisava" desmamar pra minha amiga nutella Kely de Carvalho Torres que, muito educadamente, disse: "miga sua loka, vc não tá preparada ainda. para de chorar, define quantas mamadas aí você quer e segue o baile".

Bom, eu sabia que a mais fácil era da volta da creche e assim que a buscava, levava pra passear no condomínio e em menos de 1 semana, uma mamada a menos. Próximo passo, tirar a mamada da noite. Como já não mamava até adormecer, passei a não dar mais mamá após banho e mudamos pra leitura na cama, juntinhas. Sucesso, em uma semana, nunca mais pediu. Chegamos então aos 28 meses mamando apenas as 6h, na mamada da preguiça, que ficava num mama e dorme até as 7h.

No dia que ela fez 30 meses eu decidi: chega. Passei a conversar que no próximo findi que fosse pro papai, quando ela voltasse, não mamaria mais. Que ela havia crescido, que falava e comia tudo, que tinha a mamãe ali pra ela, mas não tinha mais o mamá, que agora era meu. Numa manhã de sexta-feira ela mamou na sala. Passou o dia feliz, O pai veio buscar e a lembrei: filha, quando você voltar, tem a mamãe, mas o mamá não tem mais. Ele agora é meu, tá bom? Ela disse que tava bom e foi. E eu? chorei. Na segunda, ela pediu mamá, eu disse que era meu e convidei prum lindo café da manhã, e ela topou, numa boa. Pediu pra botar a mão no mama (coisa que faz até hoje), mas dizia: eu não mamo mais.

(última mamada, registrada pelo mano. eu sabia que seria a última. olha o tamanho dessa criança, hehehe)

Foram 739 dias de amamentação, sem leite artificial, sem chupeta, sem mamadeira, na experiência mais forte da minha vida. Dessa falta de acolhimento por parte de algumas pessoas em relação à amamentação prolongada, e ao encontro com essas almas que me ouviam, desenvolvi meu discurso e meu método de apoio à mães que querem um desmame gentil.

Se eu sinto falta de amamentar? Sinto, mas não a ponto de querer que ela ainda mamasse, hehee. O que vejo por aí são mães esgotadas e confusas, amamentando crianças maiores em livre demanda sem saberem como proceder e se sentindo mal de falarem que não gostam mais, por medo de julgamentos. Isso não é legal. trabalhar com amamentação é respeitar aquela díade, independente dos estudos, das tuas crenças, porque a gente não vive aquela vida ali, né?

Então, gente, leia sobre desmame, falem sobre desmame, desmamem se quiserem (eu indico 4 consultoras foda pra acompanhamento de desmame, inclusive online; eu, Kely Torres, Fe Lopes e Bianca Balassiano). Leiam sobre remoção gentil, sobre plano gordon de desmame noturno e sobre redução de livre demanda. E criem a história de vocês. Essa foi a nossa.

<3

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